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Como fazer o DRE do seu negócio de forma simples (e enxergar onde o dinheiro some)

Por Cristiano Drumond · 1 de setembro de 2026

Você vende, vende, vende — e no fim do mês a conta não fecha. O dinheiro entra, mas some antes de você entender pra onde foi. Se essa cena te parece familiar, o problema quase nunca é falta de venda: é falta de enxergar o resultado. E a ferramenta que mostra isso, preto no branco, tem um nome que assusta pela sigla, mas é simples na prática: o DRE.

O que é o DRE (e por que ele não é "coisa de contador")

Sou Cristiano Drumond. Passei dez anos como empresário, dei aula de Administração e Finanças e hoje trabalho com finanças no dia a dia. Vou te mostrar, de igual pra igual, como montar o DRE do seu negócio sem depender de contador pra entender o básico — e, principalmente, como usar esse relatório pra achar o ralo por onde seu lucro está escoando.

DRE significa Demonstração do Resultado do Exercício. Traduzindo: é um relatório que pega tudo que entrou (suas vendas) e vai descontando, em ordem, tudo que saiu — impostos, custos, despesas — até chegar na resposta que interessa: sobrou lucro ou deu prejuízo?

A lógica é dedutiva. A estrutura da DRE segue uma lógica dedutiva, partindo da receita bruta até chegar ao resultado líquido após a dedução de custos, despesas e impostos. Pense numa escada de cima pra baixo: no topo está tudo que você faturou; a cada degrau você tira uma parte; e o último degrau é o que efetivamente ficou no seu bolso.

O contador faz o DRE oficial, contábil, com regras técnicas. Mas você, dono do negócio, precisa do DRE gerencial — aquele que você olha pra tomar decisão. E esse, com uma planilha e disciplina, você consegue montar sozinho. Vale lembrar que não existe um modelo único de DRE, já que sua estrutura pode variar conforme as necessidades da empresa.

O passo a passo do DRE, linha por linha

Vou te dar a sequência exata. Cada linha nasce da anterior. Monte assim, de cima pra baixo:

Parece muita coisa, mas na prática é uma planilha com dez linhas. E o segredo está na organização das entradas. Para apurar o lucro que a empresa teve no período, devem estar indicadas na DRE as receitas e os rendimentos ganhos. Além disso, devem estar apontados os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes às receitas e rendimentos.

Onde o dinheiro some: separando custo de despesa (a confusão que mata)

Aqui está o pulo do gato — e o erro mais comum que vejo. Muita gente joga tudo num monte só: aluguel, mercadoria, salário, energia, taxa da maquininha. Aí o DRE não mostra nada, porque tudo virou "gasto". O DRE só revela o ralo quando você separa custo de despesa.

Custo é o que está diretamente ligado ao que você vende. Numa lanchonete, é o pão, a carne, o queijo. Numa loja, é o preço que você pagou pela mercadoria. Se você não vende, esse gasto não acontece. Despesa é o que você paga pra manter a estrutura em pé, vendendo ou não: aluguel, contador, salário do administrativo, energia da loja.

Por que isso importa tanto? Porque cada "buraco" no DRE aponta pra um problema diferente:

DRE não é caixa: por que você "tem lucro" mas está sem dinheiro

Essa é a maior armadilha do pequeno negócio. O DRE trabalha no regime de competência: ele registra a venda no dia em que você vende, mesmo que o cliente vá pagar em 30, 60 ou 90 dias. Ou seja, o DRE pode mostrar lucro enquanto o dinheiro ainda não entrou na conta.

Por isso o DRE anda de mãos dadas com o fluxo de caixa, mas não é a mesma coisa. O DRE responde "meu negócio dá lucro?". O fluxo de caixa responde "eu tenho dinheiro pra pagar as contas amanhã?". Você precisa dos dois. Um negócio pode ser lucrativo no papel e quebrar por falta de caixa — vende muito parcelado, paga fornecedor à vista e fica sem fôlego no meio do caminho.

A boa notícia: o próprio DRE te ajuda a comparar cenários. Você pode fazer isso de maneira simples, criando mais uma coluna na Demonstração de Resultados e comparando os resultados planejados com os realizados, se baseando nas mesmas estruturas usadas para as projeções. É assim que você deixa de decidir no "achismo" e passa a decidir com número.

Impostos no DRE: o que muda conforme seu regime

A linha de impostos do seu DRE depende de como sua empresa é enquadrada. E aqui vale checar os números atuais, porque errar o regime distorce todo o resultado.

Se você é MEI, atenção ao teto: em 2025 o limite de faturamento anual continua em R$ 81 mil. Há um projeto em discussão para ampliar esse valor, mas o limite só poderá ser ampliado caso o projeto seja aprovado. Enquanto isso, vale a regra de sempre: você pode faturar R$ 15.000,00 em um mês e R$ 2.000,00 em outro, por exemplo, desde que não ultrapasse os R$ 81 mil no total do ano.

Se você está no Simples Nacional, os tetos para 2026 seguem definidos: o limite máximo federal do Simples Nacional permanece em R$ 4,8 milhões de receita bruta anual, sem alterações em relação a 2025. E tem um ponto que pega muita gente desprevenida — o sublimite. A Secretaria-Executiva do Comitê Gestor do Simples Nacional confirmou o sublimite de receita bruta anual de R$ 3,6 milhões para efeito de recolhimento do ICMS e do ISS no ano-calendário de 2026.

O que isso significa na prática pro seu DRE? Ao exceder a receita de R$ 3,6 milhões no ano, a empresa deixa de recolher ICMS e ISS pelo Simples Nacional e passa ao regime normal somente para esses tributos, mantendo-se no Simples para as contribuições federais. Ou seja: se você opera perto desse valor, sua carga de imposto na linha de deduções pode mudar no meio do ano. Acompanhar a receita acumulada no DRE mês a mês te avisa antes de a surpresa chegar.

Como transformar o DRE num hábito (e não num relatório que você faz uma vez e esquece)

Um DRE feito uma vez por ano não serve pra decisão — serve pra enterro. O valor está na repetição. Feche seu DRE todo mês, no mesmo dia, com a mesma estrutura. Em três ou quatro meses você começa a enxergar tendências: a margem caiu? a despesa fixa cresceu? aquele produto que você "acha" que vende bem dá lucro mesmo?

Você não precisa de sistema caro pra começar. Uma planilha bem montada resolve. Basta preencher as linhas em branco com os números da sua empresa, enquanto as linhas de cálculo e somatória dão os resultados calculados automaticamente. Com o tempo, se o negócio crescer, dá pra migrar pra um sistema que integre tudo e gere o relatório sozinho.

O objetivo final não é ter um relatório bonito. É você olhar pro seu negócio e saber, com certeza, se ele dá lucro — e, se não dá, exatamente onde intervir. Esse é o divisor de águas entre o empresário que trabalha o mês inteiro pra descobrir no fim que "não sobrou nada" e o que sabe, antes, onde apertar.

Perguntas frequentes

Preciso de contador pra fazer o DRE?
Para o DRE contábil oficial, sim. Mas o DRE gerencial — o que você usa pra decidir — você mesmo monta numa planilha. O contador cuida da obrigação legal; você cuida da gestão.
Qual a diferença entre custo e despesa no DRE?
Custo é o gasto ligado diretamente ao que você vende (mercadoria, matéria-prima). Despesa é o gasto de manter a estrutura funcionando (aluguel, salário administrativo, contador), vendendo ou não.
Ter lucro no DRE significa ter dinheiro no caixa?
Não necessariamente. O DRE registra a venda no momento em que ela acontece, mesmo a prazo. Você pode ter lucro no papel e caixa apertado. Por isso, use o DRE junto com o fluxo de caixa.
De quanto em quanto tempo devo fazer o DRE?
Idealmente todo mês. É a frequência que permite enxergar tendências e corrigir a rota antes que o problema vire prejuízo acumulado.
Sou MEI, faz sentido eu fazer DRE?
Faz muito sentido. Mesmo com faturamento até R$ 81.000,00 por ano em 2025, saber quanto sobra depois de custos e despesas é o que diz se vale a pena continuar ou ajustar preço.
Onde o dinheiro costuma "sumir" no DRE?
Nos três pontos clássicos: margem baixa (Lucro Bruto pequeno), estrutura pesada (despesas fixas altas) e custo financeiro (juros e antecipação de recebíveis na linha das despesas financeiras).

Montar o DRE é enxergar. Mas enxergar sem saber o que fazer com o número ainda deixa muita gente travada. Foi por isso que criei o curso "Descubra se seu negócio dá lucro": um passo a passo prático, sem contabilês, pra você montar seu DRE, ler cada linha com segurança e tomar decisões que fazem sobrar dinheiro de verdade no fim do mês. Se este artigo te fez perceber que você precisa dominar isso de uma vez, o curso é onde a gente coloca a mão na massa juntos.

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Escrito por Cristiano Drumond — administrador pela UFMG, MBA, especialização em Gestão Financeira pela Fundação Dom Cabral (FDC). Foi empresário por 10 anos e hoje é executivo de finanças. Ensina finanças para donos de micro e pequeno negócio, de igual pra igual, sem contabilês.
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